AS PORTAS DA PERCEPÇÃO

E se aquilo que chamamos de realidade for apenas uma pequena parte do que existe?


E se eu dissesse que talvez você nunca tenha visto a realidade como ela realmente é?

Talvez aquilo que você chama de “mundo real” seja apenas uma versão reduzida, filtrada e organizada daquilo que existe ao seu redor.

Uma versão criada não para mostrar a verdade inteira...

mas simplesmente para permitir que você sobreviva.

Foi essa possibilidade que fascinou Aldous Huxley, autor de Admirável Mundo Novo, quando escreveu um de seus textos mais provocadores:

As Portas da Percepção.

Neste livro, Huxley relata uma experiência que transformou profundamente sua maneira de pensar sobre a consciência, a percepção, a arte, a espiritualidade e até mesmo aquilo que chamamos de “eu”.

Não se trata apenas de uma história sobre uma substância.

A pergunta é muito maior.

Quanto da realidade nossa mente deixa de fora apenas para conseguirmos funcionar?


Quanto de beleza você já deixou de perceber porque estava com pressa?

Quanto da vida passa diante de seus olhos sem realmente ser vista?

E se o extraordinário nunca tivesse estado escondido...

mas nós simplesmente tivéssemos perdido a capacidade de percebê-lo?


O COMEÇO DE UMA EXPERIÊNCIA

A história não começa em um templo.

Não começa no alto de uma montanha.

Não começa em um retiro espiritual.

Começa em um ambiente comum.

Uma sala.

Um pesquisador.

Um bloco de anotações.

Um copo de água.

E Aldous Huxley esperando para observar o que aconteceria com sua percepção após ingerir mescalina em um contexto experimental.

O ambiente era absolutamente comum.

Mas era justamente isso que tornaria a experiência tão poderosa.

Porque Huxley começaria a perceber algo que atravessa todo o livro:

o sagrado talvez não esteja em outro lugar.

Talvez esteja exatamente aqui.

Na cadeira.

Na cortina.

Na luz.

Na dobra de um tecido.

Em uma flor.

Em objetos tão comuns que aprendemos a não olhar mais para eles.

A experiência, para Huxley, não era simplesmente uma fuga da realidade.

Ao contrário.

Ele começou a se perguntar se talvez estivesse vendo certos aspectos da realidade com menos filtros do que normalmente.


O CÉREBRO COMO UMA VÁLVULA REDUTORA

Uma das ideias mais importantes apresentadas por Huxley é a de que o cérebro talvez não funcione apenas como um produtor da consciência.

Ele sugere que poderíamos imaginá-lo como uma espécie de:

válvula redutora.

Pense nisso.

Neste momento, milhares de estímulos estão acontecendo ao seu redor.

Luzes.

Sons.

Movimentos.

Temperatura.

Sensações do corpo.

Memórias.

Pensamentos.

Texturas.

Cores.

Sombras.

Pequenos detalhes que você poderia observar...

mas não observa.

Por quê?

Porque seria impossível funcionar normalmente se você prestasse atenção conscientemente em tudo.

Você precisa atravessar a rua.

Responder mensagens.

Trabalhar.

Preparar comida.

Pagar contas.

Conversar com outras pessoas.

Tomar decisões.

Então sua mente seleciona.

Ela reduz.

Ela filtra.

Ela decide o que merece sua atenção.

E grande parte do restante simplesmente desaparece da consciência.

Isso é extremamente útil para sobrevivermos.

Mas Huxley pergunta:

E se aquilo que é útil não for necessariamente tudo aquilo que é real?

Talvez estejamos recebendo uma pequena versão da realidade...

uma versão organizada para que possamos funcionar.

Não a totalidade.


QUANDO UMA CADEIRA DEIXA DE SER APENAS UMA CADEIRA

Durante a experiência, algo aparentemente banal chama profundamente a atenção de Huxley.

Uma cadeira.

Normalmente, quando olhamos para uma cadeira, nosso cérebro imediatamente pensa:

“cadeira”.

Algo para sentar.

Um objeto.

Uma função.

E acabou.

Mas Huxley começa a olhar para os objetos sem que a função seja a coisa mais importante.

A cadeira deixa de existir apenas para alguém sentar.

Ela simplesmente...

é.

Sua forma.

Sua madeira.

A luz sobre ela.

Os ângulos.

As sombras.

A existência do objeto em si.

Isso pode parecer insignificante.

Mas existe uma pergunta profunda aqui.

Quantas coisas nós realmente enxergamos?

E quantas apenas identificamos?

Você olha para uma árvore e pensa:

“árvore”.

Olha para uma xícara:

“xícara”.

Para uma pessoa:

“meu marido”.

“minha filha”.

“meu colega”.

“meu chefe”.

Nós damos nomes às coisas...

e muitas vezes paramos de vê-las.

O nome substitui a experiência.

Huxley descreve algo próximo daquilo que algumas tradições contemplativas chamam de talidade ou suchness:

a coisa como ela é...

antes que nossa mente a reduza ao nome, à utilidade ou ao julgamento.


TALVEZ NÓS NÃO ESTEJAMOS REALMENTE OLHANDO

Existe uma diferença entre reconhecer uma coisa...

e realmente enxergá-la.

Você pode passar todos os dias pela mesma rua durante dez anos...

e jamais perceber a arquitetura de um prédio.

Pode morar com uma pessoa durante vinte anos...

e deixar de observar seu rosto.

Pode olhar para suas próprias mãos todos os dias...

sem realmente vê-las.

A familiaridade cria uma espécie de cegueira.

Nós pensamos:

“Eu já sei o que isso é.”

E quando acreditamos que sabemos...

paramos de olhar.

Talvez uma das mensagens mais interessantes de As Portas da Percepção seja exatamente essa:

a realidade comum talvez seja muito menos comum do que parece.

O problema é que nos acostumamos com ela.


A BELEZA QUE SEMPRE ESTEVE PRESENTE

Huxley começa a perceber intensidade em coisas que normalmente seriam irrelevantes.

Cores.

Tecidos.

Dobras.

Reflexos.

Formas.

Uma flor.

Uma peça de roupa.

Um móvel.

Coisas que normalmente seriam apenas parte do cenário ganham uma presença quase extraordinária.

E aqui aparece uma ideia fascinante:

talvez a beleza não seja algo que precisamos encontrar em lugares especiais.

Talvez precisemos reaprender a perceber aquilo que sempre esteve diante de nós.

Uma flor não precisa mudar.

Talvez seja o observador que precisa mudar.

A luz não precisa ficar mais bonita.

Talvez nós precisemos estar presentes o suficiente para realmente vê-la.


O TEMPO COMEÇA A PERDER A IMPORTÂNCIA

Outro aspecto marcante descrito por Huxley é a transformação da percepção do tempo.

Nós somos criaturas completamente organizadas pelo relógio.

Que horas são?

Quanto tempo falta?

O que eu preciso fazer amanhã?

Quando vou terminar isso?

Qual é o próximo compromisso?

Grande parte da nossa mente vive alguns minutos, algumas horas ou alguns anos à frente.

Ou então está voltando continuamente ao passado.

Mas, durante a experiência relatada por Huxley, a importância psicológica do tempo diminui.

O agora se expande.

Não existe aquela urgência constante de chegar ao próximo momento.

Existe apenas...

este momento.


Talvez seja por isso que tantas tradições espirituais falem sobre presença.

Não porque o passado e o futuro não existam.

Mas porque a única experiência que você realmente pode viver acontece agora.

Você nunca vive amanhã.

Quando amanhã chegar...

será hoje.

Você nunca vive daqui a uma hora.

Quando aquela hora chegar...

será agora.

E, ainda assim, podemos passar a vida inteira fugindo do único lugar onde a vida realmente acontece.


O QUE ACONTECE COM O “EU”?

Huxley também descreve uma mudança profunda na relação com aquilo que normalmente chamamos de “eu”.

No cotidiano existe uma narrativa constante:

Eu gosto.

Eu não gosto.

Eu preciso.

Eu quero.

Eu fiz.

Fizeram comigo.

Eu deveria.

Eu poderia.

Eu sou assim.

É como se existisse um narrador permanente contando a história da nossa própria vida.

Mas e se, por alguns momentos, esse narrador ficar silencioso?

O que sobra?

Huxley descreve algo semelhante a uma consciência que observa...

sem precisar colocar tudo imediatamente dentro da história pessoal.

O corpo continua existindo.

Pensamentos continuam podendo acontecer.

O mundo continua presente.

Mas a necessidade de transformar tudo em:

“eu, meu, para mim”

fica menos importante.

Isso não significa necessariamente que o “eu” desaparece.

Significa que ele deixa de ocupar todo o palco.

E talvez seja nesse ponto que surge uma pergunta desconfortável:

Quem sou eu sem todas as histórias que conto sobre mim?

Sem profissão.

Sem passado.

Sem status.

Sem as opiniões que defendo.

Sem meus sucessos.

Sem meus fracassos.

Sem aquilo que aconteceu comigo.

O que sobra?


O SILÊNCIO QUE NÃO É VAZIO

Há momentos em que Huxley descreve o silêncio quase como se fosse uma presença.

Não simplesmente ausência de som.

Mas uma quietude cheia.

Nós vivemos cercados de estímulos.

Música.

Vídeos.

Notificações.

Conversas.

Televisão.

Podcasts.

Celular.

Pensamentos.

Muitas pessoas sentem desconforto quando tudo fica silencioso.

Porque, quando o barulho externo desaparece...

podemos começar a ouvir aquilo que estava escondido por baixo dele.

Mas existe outro lado do silêncio.

O silêncio também pode se transformar em espaço.

Um lugar onde você não precisa responder.

Não precisa produzir.

Não precisa impressionar.

Não precisa correr.

Pode apenas...

existir.


Talvez algumas das experiências mais profundas da vida não aconteçam quando adicionamos alguma coisa.

Talvez aconteçam quando finalmente retiramos o excesso.


ARTE COMO UMA TENTATIVA DE MOSTRAR O INVISÍVEL

Uma parte fascinante das reflexões de Huxley envolve a arte.

Depois da experiência, certas pinturas religiosas e obras visionárias passam a fazer mais sentido para ele.

As cores intensas.

Os halos.

A luz parecendo sair de dentro das figuras.

As roupas com dobras exageradas.

Os padrões.

As formas.

A arquitetura grandiosa.

Talvez muitos artistas não estivessem simplesmente tentando reproduzir aquilo que os olhos normalmente enxergam.

Talvez estivessem tentando representar experiências interiores.

Há coisas que palavras não conseguem explicar.

E talvez seja justamente por isso que criamos arte.

Uma pintura não precisa dizer:

“Foi isso que eu senti.”

Ela pode simplesmente colocar alguma coisa diante de você...

e fazer você sentir.

Talvez a arte seja uma ponte entre aquilo que pode ser explicado...

e aquilo que só pode ser experimentado.


POR QUE AS TRADIÇÕES ESPIRITUAIS USAM TANTA LUZ?

Pense em diferentes culturas.

Santos com halos.

Divindades cercadas por luz.

Iluminação.

Fogo.

Auras.

Coroas.

Sol.

Olhos abertos.

Montanhas.

Ascensão.

Lotus.

Mandalas.

Vitrais.

Templos.

Huxley começa a perceber paralelos entre experiências visionárias e imagens que aparecem repetidamente na história das religiões.

Isso não significa necessariamente que todas essas imagens provem literalmente uma realidade sobrenatural.

Mas levanta uma questão interessante.

Por que seres humanos, separados por séculos e culturas, recorrem tantas vezes às mesmas linguagens visuais para representar experiências consideradas sagradas?

Luz.

Expansão.

Silêncio.

Perda das fronteiras do eu.

Sensação de eternidade.

Profunda beleza.

Talvez as tradições sejam diferentes...

mas exista algo em nossa experiência humana que continuamente procura expressar aquilo que parece estar além da linguagem.


O MAPA NÃO É O TERRITÓRIO

Existe uma ideia muito importante aqui.

Religiões, filosofias e sistemas de pensamento podem funcionar como mapas.

Mas o mapa nunca é o território.

A palavra “amor” não é amor.

A palavra “Deus” não é Deus.

A palavra “árvore” não é uma árvore.

A palavra “vida” não é a experiência de estar vivo.

Palavras apontam.

Mas não substituem.

Talvez um dos problemas humanos seja começar a adorar o mapa...

e esquecer o território.

Discutimos nomes.

Conceitos.

Definições.

Doutrinas.

Enquanto aquilo para o qual os conceitos deveriam apontar permanece ignorado.


A EXPERIÊNCIA NÃO É O DESTINO

Existe também uma conclusão extremamente importante em Huxley.

Uma experiência extraordinária...

por si só...

não transforma uma vida.

Você pode ter uma grande percepção hoje...

e amanhã continuar agindo exatamente como antes.

Pode viver um momento profundo...

e transformá-lo apenas em uma história interessante.

É por isso que experiência sem integração pode virar apenas turismo psicológico.

O verdadeiro teste começa depois.

Na vida comum.

Na segunda-feira.

No supermercado.

Na relação com os filhos.

Na forma como você responde quando alguém irrita você.

Na maneira como cuida do corpo.

Na forma como trata as pessoas quando ninguém está observando.

Na capacidade de olhar novamente para aquela mesma cadeira comum...

e ainda perceber que estar vivo diante dela já é alguma coisa extraordinária.


A VISÃO NÃO É O CAMINHO

Talvez uma experiência possa apontar uma direção.

Mas apontar não é caminhar.

Uma bússola pode dizer onde fica o norte...

mas ela não percorre o caminho por você.

Huxley parece compreender isso.

Não precisamos necessariamente viver perseguindo experiências extraordinárias.

Talvez o verdadeiro trabalho seja desenvolver uma qualidade de atenção que consiga encontrar profundidade na vida comum.

Sem fogos de artifício.

Sem acontecimentos espetaculares.

Sem precisar escapar.

Respirar.

Observar.

Escutar.

Estar presente.

Talvez seja muito menos excitante...

e muito mais transformador.


A REALIDADE TALVEZ NÃO SEJA POBRE. TALVEZ NOSSA ATENÇÃO ESTEJA POBRE.

Existe algo que me toca profundamente nessa ideia.

Vivemos procurando coisas novas.

Novos lugares.

Novas pessoas.

Novos relacionamentos.

Novos produtos.

Novas experiências.

Talvez porque aquilo que já conhecemos tenha perdido o brilho.

Mas será que perdeu mesmo?

Ou fomos nós que paramos de olhar?

Talvez a vida não tenha ficado sem graça.

Talvez nossa percepção tenha ficado automática.

Talvez não precisemos mudar tudo ao nosso redor.

Talvez precisemos reaprender a estar diante daquilo que já existe.

Imagine olhar novamente para alguém que você ama...

como se realmente estivesse vendo aquela pessoa.

Olhar para o céu...

sem tirar uma fotografia.

Comer...

sem olhar o celular.

Andar...

sem tentar chegar mentalmente ao destino antes do corpo.

Escutar alguém...

sem preparar sua resposta enquanto a pessoa ainda está falando.

É simples.

Mas talvez simples não signifique fácil.


A PORTA PODE ESTAR AQUI

O título As Portas da Percepção foi inspirado em uma frase do poeta William Blake.

A ideia, em essência, é que, se as portas da percepção fossem purificadas...

as coisas poderiam aparecer como realmente são.

Talvez infinitas.

Não precisamos interpretar isso literalmente.

Podemos trazer a pergunta para nossa própria vida:

Quais são os filtros através dos quais eu estou olhando para o mundo?

Medo?

Trauma?

Pressa?

Ambição?

Ressentimento?

Expectativa?

Julgamento?

Necessidade de controlar?

Necessidade de estar certo?

Talvez duas pessoas possam estar diante da mesma realidade...

e viver em mundos completamente diferentes.

Porque nenhuma de nós vê apenas aquilo que está na nossa frente.

Vemos também através daquilo que carregamos dentro de nós.


E A MORTE?

Nas reflexões de Huxley, experiências de dissolução do ego também se aproximam de uma questão que acompanha a humanidade desde sempre:

a morte.

O que exatamente temos medo de perder quando pensamos em morrer?

O corpo?

A identidade?

A memória?

A história?

O controle?

O nome?

Talvez parte do medo da morte seja justamente o medo da dissolução daquilo que chamamos de “eu”.

Experiências nas quais essa identidade perde temporariamente sua centralidade podem produzir tanto medo quanto uma inesperada sensação de paz.

Huxley não oferece uma prova sobre aquilo que acontece depois da morte.

E seria errado transformar suas reflexões nisso.

O que ele oferece é uma pergunta.

Talvez nossa identidade cotidiana não seja a totalidade daquilo que somos capazes de experimentar.

E somente essa possibilidade já é suficiente para transformar a maneira como olhamos para a vida.


O PARAÍSO COMO UMA MANEIRA DE VER

Talvez paraíso não seja necessariamente um lugar distante.

Talvez existam momentos em que nossa percepção muda tanto que o mesmo mundo parece completamente diferente.

A sala continua a mesma.

A flor continua a mesma.

A pessoa continua a mesma.

Mas você mudou.

Talvez dois estados internos consigam transformar exatamente a mesma situação em inferno ou paraíso.

Quando existe medo...

uma experiência pode se tornar sufocante.

Quando existe entrega...

a mesma experiência pode se tornar profundamente bela.

Isso não significa que todos os problemas sejam apenas “uma questão de percepção”.

Existem sofrimentos reais.

Injustiças reais.

Doenças reais.

Perdas reais.

Mas significa que nossa relação com aquilo que acontece também participa da experiência.


O RETORNO À VIDA COMUM

Toda experiência termina.

A intensidade diminui.

As cores voltam ao normal.

A cadeira volta a ser apenas cadeira.

A cortina volta a ser apenas cortina.

E talvez seja justamente aqui que começa a parte mais importante.

O retorno.

Como levar uma percepção profunda para dentro de uma terça-feira comum?

Como não esquecer?

Talvez seja através da arte.

Da contemplação.

Da meditação.

Da escrita.

Do silêncio.

Da atenção.

De pequenas práticas que nos recordam:

eu não preciso viver completamente anestesiado pela rotina.

Você pode preparar seu café...

e estar realmente ali.

Pode olhar para uma árvore.

Pode perceber a textura da mesa.

Pode ouvir o vento.

Pode olhar para as próprias mãos.

Pode observar a respiração entrando e saindo.

Nada disso parece extraordinário.

Até o dia em que você compreende que existir para perceber qualquer uma dessas coisas...

já é extraordinário.


A PERGUNTA QUE FICA

Talvez Huxley não tenha voltado com respostas definitivas.

Talvez tenha voltado com algo mais interessante:

uma dúvida sobre aquilo que chamamos de normal.

Talvez nossa consciência cotidiana seja apenas uma maneira possível de experimentar a realidade.

Uma maneira extremamente útil.

Necessária.

Mas não necessariamente completa.

E talvez a grande lição não seja procurar continuamente experiências que alterem a mente.

Talvez seja exatamente o contrário.

Aprender a olhar com mais profundidade quando a mente está completamente sóbria.

Aprender a observar.

A desacelerar.

A prestar atenção.

A recuperar o espanto.

Porque talvez aquilo que você está procurando...

não esteja escondido em outra dimensão.

Talvez esteja na sua frente neste exato momento.

Mas você se acostumou tanto...

que parou de perceber.


Olhe ao seu redor.

Escolha alguma coisa simples.

Uma xícara.

Uma planta.

Sua própria mão.

Um raio de luz atravessando a janela.

E por alguns segundos...

não dê um nome.

Não pergunte para que serve.

Não procure significado.

Apenas olhe.

Talvez seja isso que Huxley queria dizer quando falou sobre abrir...

as portas da percepção.


E eu quero terminar deixando uma pergunta para você:

Se você pudesse enxergar a realidade sem os filtros habituais da sua mente por apenas alguns segundos... você gostaria de olhar?

E depois de olhar...

será que conseguiria viver da mesma maneira?

Se esse conteúdo fez você refletir, compartilhe comigo nos comentários.

E se você gosta de conversas sobre consciência, mente, autoconhecimento e aquilo que existe por trás da maneira automática como vivemos...

continue comigo.

Porque talvez o verdadeiro trabalho não seja encontrar outro mundo.

Talvez seja finalmente aprender a enxergar este.

Não é o amor que é ciumento. Olhe, observe, repare novamente. Quando sente ciúmes, não é o amor que o faz sentir ciumento; o amor nunca conheceu nada acerca do ciúme. É o ego que se sente magoado, é o ego que se sente competitivo, numa luta constante. É o ego que é ambicioso e deseja ser maior que os outros, que deseja ser alguém em especial. É o ego que começa por se sentir ciumento, possessivo – porque o ego só pode existir com posses.

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