Quero começar fazendo uma pergunta.
Quantas vezes você já viveu algo que ainda nem aconteceu?
Uma discussão.
Uma conversa difícil.
Uma entrevista de emprego.
Uma rejeição.
Um telefonema.
Você está deitado...
dirigindo...
tomando banho...
e, de repente, sua mente está em outro lugar.
Você consegue ver a pessoa.
Consegue imaginar o que ela vai dizer.
E consegue até sentir seu corpo reagindo a uma situação...
que ainda nem aconteceu.
E aqui está a pergunta:
E se você não estiver apenas preocupado?
E se estiver ensaiando?
Imagine um homem chamado Daniel.
Daniel tem 38 anos.
Ele tem uma entrevista de emprego importante.
Chega mais cedo e fica sentado dentro do carro, em frente ao prédio.
Faltam onze minutos.
Mas, em vez de simplesmente esperar...
Daniel começa a fazer a entrevista dentro da própria cabeça.
Ele se imagina entrando na sala.
Imagina a entrevistadora fazendo uma pergunta difícil.
Ele não sabe responder.
Trava.
Percebe a expressão no rosto dela.
E a entrevista imaginária termina mal.
Então Daniel faz algo interessante.
Ele repete.
Mesma pergunta.
Mesma ansiedade.
Mesmo final.
De novo.
E de novo.
Quando finalmente sai do carro, Daniel já ensaiou mentalmente o próprio fracasso onze vezes.
Então entra na entrevista real.
A pergunta difícil aparece.
Seu corpo fica tenso.
A mente trava.
E ele executa quase exatamente aquilo que vinha praticando.
Agora pense na sua própria vida.
Quantas conversas você já ensaiou antes de elas acontecerem?
Quantas vezes imaginou alguém rejeitando você?
Quantas discussões teve dentro da própria cabeça com pessoas que nem estavam presentes?
E quantas situações antigas você já repetiu mentalmente...
centenas de vezes?
Talvez milhares?
Normalmente chamamos tudo isso de:
pensar.
Mas talvez parte disso seja, na verdade...
praticar.
[O FILME ANTIGO]
Agora imagine que o medo de Daniel não começou naquela entrevista.
Quando Daniel tinha onze anos, levou para casa o boletim da escola.
Havia uma nota ruim.
O pai olhou para aquilo e disse:
“Eu não estou bravo. Só achei que você fosse mais inteligente do que isso.”
Talvez o pai tenha esquecido aquela frase uma semana depois.
Daniel não esqueceu.
Durante anos, Daniel voltou mentalmente àquela cozinha.
Às vezes se defendia.
Às vezes imaginava o pai pedindo desculpas.
Às vezes mudava completamente a história.
Mas a mensagem emocional permanecia:
“Talvez eu não seja bom o suficiente.”
E, mais tarde:
“Mais cedo ou mais tarde, alguém vai descobrir.”
Vinte e sete anos depois, Daniel está sentado em frente ao prédio onde fará uma entrevista...
mas, emocionalmente...
uma parte dele ainda está naquela cozinha.
E é aqui que quero convidar você a olhar para a própria vida.
Talvez a pergunta mais importante não seja apenas:
“O que aconteceu comigo?”
Talvez exista outra:
“O que eu continuo ensaiando por causa daquilo que aconteceu comigo?”
Porque aquilo que aconteceu pertence à sua história.
Mas o ensaio...
pode continuar acontecendo hoje.
[OS FILMES FAVORITOS DA SUA MENTE]
Experimente fazer isso durante três dias.
Toda vez que perceber que entrou em uma cena imaginária, anote.
Não julgue.
Ainda não tente analisar.
Apenas escreva:
Onde estou?
Quem está comigo?
O que acontece?
Como essa cena termina?
Depois de três dias, observe suas anotações.
Talvez você descubra algo interessante.
Talvez você não tenha cinquenta preocupações diferentes.
Talvez tenha dois ou três filmes...
que repete há anos.
A conversa em que você é rejeitado.
O momento em que alguém critica você.
A discussão em que finalmente consegue provar que estava certo.
O futuro em que tudo dá errado.
Então pergunte:
“O que ainda está inacabado aqui?”
O que ainda estou esperando?
Um pedido de desculpas?
Aprovação?
Reconhecimento?
Ser finalmente compreendido?
Provar que sou bom o suficiente?
Talvez seja justamente isso que continue trazendo sua mente de volta para a mesma cena.
[PARE DE ENSAIAR APENAS O PASSADO]
Agora fazemos a mudança.
Não gaste outras mil repetições tentando reescrever o filme antigo.
Crie uma cena nova.
Pergunte:
“Que situação no meu futuro mostraria que essa história antiga já não controla mais meu comportamento?”
Para Daniel, não precisamos criar uma fantasia em que ele se torna o homem mais confiante do mundo.
Vamos tornar isso real.
Daniel se imagina em uma reunião.
Alguém faz uma pergunta cuja resposta ele não sabe.
Ele sente aquela velha sensação no estômago.
Mas, desta vez...
permanece ali.
Respira.
E responde:
“Eu ainda não sei. Vou verificar e trago uma resposta até quinta-feira.”
Só isso.
Nenhuma performance perfeita.
Nenhuma transformação milagrosa.
Apenas...
uma resposta diferente.
E é isso que ele começa a praticar.
[CRIANDO UMA NOVA VIDA]
É aqui que tudo isso se torna prático.
Não imagine apenas:
“Quero ser mais confiante.”
Pergunte:
O que uma pessoa confiante FAZ?
Talvez confiança seja conseguir dizer:
“Eu não sei.”
Talvez seja enviar aquela mensagem que você vem evitando.
Talvez seja entrar na academia mesmo se sentindo desconfortável.
Talvez seja dizer não sem escrever cinco parágrafos tentando se justificar.
Não diga apenas:
“Quero um relacionamento saudável.”
Pergunte:
Como eu agiria diferente na minha próxima conversa difícil?
Não diga apenas:
“Quero uma vida de sucesso.”
Pergunte:
O que a pessoa que estou me tornando faria amanhã às 8h15 da manhã?
Transforme o futuro em comportamento.
Faça com que ele possa ser visto.
E torne-o pequeno o suficiente para poder ser praticado.
[OS CINCO PASSOS]
Então aqui está o exercício.
UM — PERCEBA.
Qual cena mental você repete com mais frequência?
DOIS — IDENTIFIQUE.
O que ainda parece inacabado naquela cena?
TRÊS — INTERROMPA.
Quando o filme começar novamente, reconheça:
“Estou ensaiando.”
Você não precisa lutar contra ele.
Apenas perceba o que está fazendo.
QUATRO — CRIE.
Escolha uma situação futura na qual você responde de maneira diferente.
Não perfeita.
Diferente.
CINCO — ENSAIE E AJA.
Imagine-se fazendo essa pequena escolha diferente.
E quando a vida apresentar a oportunidade...
faça de verdade.
Porque imaginar sem agir também pode se transformar em outro esconderijo.
O objetivo não é passar a vida inteira visualizando uma vida nova.
O objetivo é começar a praticá-la até que você passe a vivê-la.
Seu passado pode explicar por que determinadas cenas se tornaram tão fáceis de repetir dentro da sua mente.
Mas ele não precisa decidir o que você continuará praticando.
Pense nisso:
Cada discussão imaginária é um ensaio.
Cada rejeição imaginada é um ensaio.
Cada vez que você escuta aquela velha voz dizendo que não é bom o suficiente...
você está voltando a um roteiro conhecido.
Então talvez a pergunta não seja:
“Estou criando meu futuro?”
Talvez a pergunta seja:
“Qual futuro estou ensaiando?”
Hoje à noite, quando sua cabeça tocar o travesseiro...
observe para onde sua mente vai.
Não julgue.
Apenas observe.
E pergunte:
“É essa a vida que quero continuar praticando?”
Se a resposta for não...
escolha uma pequena cena da vida que realmente deseja.
Não o futuro inteiro.
Não a perfeição.
Uma conversa.
Uma decisão.
Uma resposta.
Uma atitude.
E amanhã...
quando a vida oferecer a oportunidade...
pratique de verdade.
Porque criar uma vida nova não começa necessariamente quando tudo ao seu redor muda.
Às vezes...
começa quando você para de ensaiar a antiga.
E quero deixar uma pergunta para você:
**Qual cena você mais ensaiou ao longo da sua vida...
e o que todas essas repetições têm treinado você a esperar?**